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11 de fevereiro de 2010

MEDO DE SE APAIXONAR -Fabrício Carpinejar

Medo de se apaixonar


Você tem medo de se apaixonar.Medo de sofrer o que não está acostumada.Medo de se conhecer e esquecer outra vez.Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar , de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Medo de não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve.
(...)

Você tem medo de se apaixonar e não prever o que poderá sumir, o que poderá desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo que ele seja um canalha, medo de seja um poeta, medo de que seja amoroso medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer - talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue.

Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam coincidir novamente. Medo de largar o tédio; afinal você e o tédio, enfim, se entendiam.

(...)

Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa, Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida , agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar às aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha.

Você tem medo de já estar apaixonada.
O Amor Esquece de Começar, Fabrício Carpinejar.

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